COP30: IFPA apresenta projetos na Exposição de produtos da Educação Profissional e Tecnológica
Na tarde do dia 13 de novembro, alunos e professores de diversos campi do Instituto Federal do Pará (IFPA) participaram da Exposição de produtos da Educação Profissional e Tecnológica, que aconteceu no estande das Universidades Amazônicas (Unamaz) da COP30. Os projetos expostos foram: “Sementes que geram renda: biojoias e desenvolvimento sustentável na Amazônia”, “Earth: aproveitamento dos resíduos eletrônicos, como ferramenta para o desenvolvimento da consciência ambiental, por meio da produção de materiais artísticos e educacionais”, “Ribeirizar: promoção da habitação ribeirinha saudável na Amazônia”, “Comunidade Escola Porto Ceasa, Belém/PA: uma parceria para desenvolvimento e aplicação de tecnologias sociais na Amazônia”, “Refazenda: compostagem como estratégia de integração Ensino-Pesquisa-Gestão Pública” e “Restauração Ambiental: Integrando Bioeconomia e projetos da Redd+ como estratégia de mitigação das mudanças climáticas e geração de renda em comunidades tradicionais da Amazônia”. Conheça os projetos:
Comunidade Escola Porto Ceasa, Belém/PA: uma parceria para desenvolvimento e aplicação de tecnologias sociais na Amazônia
O projeto promove a integração entre conhecimento científico e saberes populares para desenvolver tecnologias sociais aplicadas às realidades amazônicas. A iniciativa funciona por meio de um “laboratório vivo”, no qual soluções de saneamento, habitação e saúde são testadas tanto no ambiente acadêmico quanto diretamente na comunidade Porto Ceasa, em Belém. Na prática, estudantes aprendem com experimentos e equipamentos didáticos, enquanto na escala real quem ensina é o comunitário, que compartilha sua vivência e ajuda a adaptar as tecnologias às condições locais. O principal impacto é aproximar ciência e território, possibilitando que soluções antes vistas como inviáveis sejam cocriadas, ajustadas e efetivamente aplicadas.
“Nesse ambiente comunitário, já não é o professor, é o comunitário que vai dar a aula a partir da sua vivência, mesmo porque qualquer solução, mesmo consolidada ou não, vai precisar passar pelo processo de cocriação com a comunidade, de adaptação, e aí nesse ambiente quem domina é o comunitário”, explica o coordenador do projeto, Valdinei da Silva.

Restauração Ambiental: Integrando Bioeconomia e projetos da Redd+ como estratégia de mitigação das mudanças climáticas e geração de renda em comunidades tradicionais da Amazônia
O projeto busca demonstrar que sistemas produtivos sustentáveis, como agricultura familiar, sistemas agroflorestais e integração lavoura-pecuáriS, podem contribuir para o sequestro de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa. Para isso, as equipes utilizam equipamentos de medição de fluxo de gases em cultivos como feijão, cacau e cupuaçu. Além de instrumentalizar fazendas experimentais, a iniciativa integra a COP30 por abordar diretamente os efeitos do carbono na mudança climática. Ao recuperar áreas degradadas e promover agricultura de baixo carbono, o projeto reduz emissões e fortalece estratégias de mitigação.
“A gente está trabalhando exatamente com os gases, com a quantificação, com fluxo dos gases que fazem efeitos do efeito estufa, que vão atingir diretamente as mudanças climáticas. Então, se a gente consegue fazer restauração de áreas degradadas, seja com Agricultura de baixo carbono, seja com sistema agroflorestal, a gente consegue de alguma forma reduzir a emissão desses gases e com isso a gente reduz os efeitos das mudanças climáticas”, destaca o coordenador do projeto, Rodrigo Pereira.

Refazenda: compostagem como estratégia de integração Ensino-Pesquisa-Gestão Pública
O Refazenda integra ensino, pesquisa, extensão e gestão para promover a recirculação de resíduos orgânicos a partir de práticas de compostagem realizadas no Campus Belém. O projeto busca criar soluções institucionais e comunitárias que reduzam a quantidade de resíduos destinados ao aterro e, consequentemente, as emissões de metano — um dos gases de maior impacto no efeito estufa. Cerca de 86 kg de resíduos orgânicos já foram desviados, representando emissões evitadas importantes para um dos setores mais poluentes da região. A iniciativa contribui tanto para mitigação climática quanto para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
“A gente tem como principal impacto em termos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas, especialmente mitigação, a redução das emissões, mas também temos impactos sobre o desenvolvimento, principalmente sobre a agenda 2030 e seus objetivos de desenvolvimento sustentável”, explica o coordenador do projeto, Túlio Silva.

Ribeirizar: promoção da habitação ribeirinha saudável na Amazônia
O projeto Ribeirizar promove moradias ribeirinhas sustentáveis e adequadas ao clima amazônico, integrando tecnologias sociais para garantir saúde e bem-estar. As casas mantêm a identidade tradicional ribeirinha, utilizando madeira da região, renovável e climaticamente confortável, e telhas de barro, que melhoram o microclima interno. A elas se acrescentam sistemas de captação de água da chuva, energia solar e soluções de esgoto, respondendo às principais vulnerabilidades das comunidades ribeirinhas. Assim, o projeto une sustentabilidade ambiental, valorização cultural e melhoria das condições de vida das populações amazônicas.
“É uma habitação que traz toda a identidade Ribeirinha e aí a gente agrega as tecnologias sociais de captação de água da chuva, porque a água potável é difícil nas áreas de ribeirinhas, de energia através de energia solar e o sistema de esgoto também, porque o ribeirinho tem uma dificuldade de esgotamento muito grande, então a tecnologia social de esgoto junto com a água potável vem trazer saúde pro Ribeirinho Amazônida”, destaca a coordenadora do projeto Mônica Silva.

Sementes que geram renda: biojoias e desenvolvimento sustentável na Amazônia
A iniciativa fomenta a Bioeconomia por meio da produção de biojoias feitas com sementes amazônicas, fortalecendo a conservação da floresta e gerando renda para a comunidade quilombola do Abacatal. Como as sementes dependem de árvores vivas, o projeto incentiva o cultivo e o manejo sustentável de espécies como tucumã e bacaba, que vêm sendo plantadas pelas próprias famílias. Além do impacto ambiental positivo, a ação promove protagonismo feminino e independência econômica, uma vez que as mulheres do quilombo lideram a produção e comercialização das peças artesanais.
“Nós temos o incentivo ao cultivo porque hoje a comunidade quilombola do Abacatal já pensa em plantar novas árvores, que eles sabem que são boas para a produção de sementes que são utilizadas como biojoias, no caso das sementes tucumã, sementes de Bacaba, que são plantadas por algumas famílias lá no Abacatal para que seja sejam usadas como fonte de biojoiais”, destaca o coordenador do projeto, Ricardo Miranda.
Earth: aproveitamento dos resíduos eletrônicos, como ferramenta para o desenvolvimento da consciência ambiental, por meio da produção de materiais artísticos e educacionais
O projeto EARTH transforma resíduos eletrônicos do Campus Belém em materiais artísticos e sistemas robóticos, promovendo economia circular, educação ambiental e robótica sustentável. A iniciativa atua em duas frentes: a criação de artefatos artísticos que podem gerar renda para comunidades, e o uso de componentes reaproveitados para construir robôs sem necessidade de equipamentos caros. Além de evitar que metais altamente poluentes contaminem solos e rios — problema global agravado pelo descarte inadequado — o projeto conscientiza sobre os impactos ambientais do lixo eletrônico e sua relação com mudanças climáticas.
“O projeto tem duas grandes vertentes, a primeira questão de fomentar a economia circular, porque quando o resíduo eletrônico vai pro meio ambiente, ele polui o solo, vai poluir a água e consequentemente os nossos peixes, então a ideia parte da economia circular e uma consciência ambiental e outra vertente é a questão educacional, a gente fomentou a educação ambiental fomentou a questão pedagógica de como eu vou trabalhar os sistemas robóticos”, destaca a coordenadora do projeto, Rejane Araújo.
