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Tecnologia, ancestralidade e justiça climática marcam o segundo dia do “IFs do Norte na COP30” em Belém

  • Publicado: Quarta, 22 de Outubro de 2025, 09h10
  • Última atualização em Quarta, 22 de Outubro de 2025, 09h10
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O segundo dia de programação do “IFs do Norte na COP30”, evento que reúne Institutos Federais da Região Norte em Belém, foi marcado por intensa troca de ideias e debates sobre o papel da educação na construção de um futuro sustentável. 

Além da continuidade da Mostra Tecnológica e das atividades do Hackathon, as mesas-redondas provocaram reflexões profundas sobre meio ambiente, desigualdade e o papel humano diante da crise climática. Pela manhã, a mesa-redonda “Cidadania e Justiça Ambiental” reuniu a majé e representante de povos originários da Amazônia, A-yá Kukamíria, o professor do Centro Universitário do Pará (Cesupa), Paulo Rabelo, e o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Reinaldo Pontes.

Em sua fala, A-yá emocionou o público ao compartilhar a sabedoria ancestral de sua comunidade e alertar para a urgência de agir no presente: “Toda vez que eu venho pra cidade, eu ouço as pessoas falarem sobre a geração do futuro, mas nós, indígenas, a gente não acredita no futuro, a gente acredita no agora, a gente precisa que vocês olhem pra dentro de vocês e se sintam confiantes de fazer a mudança agora, não passar pra próxima geração, não dizer que a próxima geração vai fazer, que a próxima geração irá trazer a mudança, porque vocês, desse exato momento, vocês são uma mudança”, afirmou. A majé ainda denunciou as invasões e os impactos do garimpo ilegal em seu território.

Reinaldo Pontes, por sua vez, destacou que a crise climática está diretamente ligada à crise de direitos e de pensamento crítico, alertando para os riscos do negacionismo e da alienação tecnológica. "O clima não é só árvore em pé, o clima são as pessoas, o seu trabalho, a sua condição de vida, o seu futuro, a sua velhice, os seus filhos, a sua casa, as suas férias, o seu lazer e o seu descanso, a sua arte. Tudo está sendo retirado suave e alienadamente, as pessoas tão perdendo sem saber que tão perdendo”, alertou o professor, defendendo uma educação que forme cidadãos conscientes, e não apenas executores de tarefas.

O professor Paulo Rabelo utilizou o texto “Se os tubarões fossem homens”, de Bertolt Brecht, para provocar uma reflexão sobre as relações de poder e a lógica predatória do capitalismo, além de defender o fortalecimento do sentimento comunitário. "Se a gente tá pensando em refletir sobre justiça climática, o ponto de partida não é banhos mais curtos, o ponto de partida não é o indivíduo, o ponto de partida é o sentimento comunitário que todos nós precisamos desenvolver. Sustentabilidade só se estabelece quando eu não tenho fome, quando eu não tenho miséria, quando eu não tenho desigualdade social”, destacou.

 

 

Crise climática com recorte de gênero e raça

 

À tarde, a mesa “Nem neutra e nem igual: a crise climática tem cor e gênero” reuniu pesquisadoras do IFPA que abordaram os impactos desiguais da crise climática. A Dra. Rutiele Saraiva trouxe o conceito de antropoceno e questionou quem são os verdadeiros causadores da crise climática e os verdadeiros afetados por ela. A Dra. Kátia Santos, a partir de sua própria história, destacou que a vulnerabilidade é socialmente construída e que a maioria das pessoas em áreas de risco no Brasil são negras. A Dra. Simone Santos apresentou ações do IFPA campus Bragança voltadas à valorização das comunidades quilombolas e seus saberes apontando o papel das instituições de ensino diante das comunidades afetadas e excluídas pelo racismo.

 

A estudante Ana Paula da Silva Castro, do IFPA campus Breves, relacionou os debates à sua pesquisa sobre ética ambiental e a luta das mulheres negras frente ao patriarcado e ao capitalismo. “Foi muito interessante, pois relacionou a luta das mulheres e o meio ambiente. Destacou que a crise climática está diretamente relacionada ao patriarcado e ao capitalismo, afeta muito mais as mulheres e, principalmente, as mulheres negras”.

 

Sessão Temática e Mostra Tecnológica: inovação com propósito

A Sessão Temática da tarde apresentou os projetos: 

Projeto

Instituição

Destaque

Larvicultura sustentável

IFPA

Recirculação de água

Mulheres Eco

IFPA

Sustentabilidade com foco comunitário

Pobreza menstrual e clima

IFPA

Interseccionalidade

Ribeirizar

IFPA

Habitação saudável na Amazônia

Comunidade Escola

IFPA

Tecnologias sociais em saúde e saneamento

Caixa sensorial educativa

IFRR

Inclusão neurodivergente

Empoderar Marajó

IFPA

Mulheres e bionegócios

 

Dos projetos, o professor Orlando Simões Junior (IFPA) destacou o projeto “Ribeirizar” como exemplo de design de interiores conectado à realidade amazônica. Ele também elogiou o trabalho do professor Rudinei e a tecnologia inclusiva apresentada pelo IFRO. “As tecnologias que vieram para IFs Norte foram bem instrutivas e relevante para o evento”, avaliou.

Por sua vez, a Mostra Tecnológica atraiu grande público interessado em conhecer as soluções como o robô aquático W.WALLE-E (IFAP), feito com material reciclável para coleta de resíduos urbanos; o Monitor Robusta (IFRO), que conecta produtores de café a técnicos via plataforma online; e o Agrolibras (IFTO), que promove inclusão de alunos surdos com vocabulário técnico em Libras.

Para a intérprete de Libras do IFTO do Campus Colinas Taís Tábata da Silva Rezende, que veio acompanhando o estudante do curso Técnico em Agropecuária João Vitor Oliveira, que é surdo, o IFPA que organizou o IFs do Norte está de parabéns, pois pensou na acessibilidade, gerou inclusão e integração para esses estudantes com necessidades específicas que são pesquisadores. “É um privilégio estar aqui em um evento deste porte para divulgar melhor o trabalho dos estudantes de nosso campus”.

O estudante João Vitor Machado Lopes, do IFRO campus Cacoal, apresentou o Monitor Robusta e destacou a troca de experiências com outros estados. “Achei muito interessante o projeto do IF Roraima, os óculos BR feito de papelão para visão 3D voltado para promover o conhecimento das regiões turísticas do estado. Bem simples e fácil de fazer”.

 

 

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