XVII Sicti deixa legado inovador
O XVII Seminário de Iniciação Científica, Tecnológica e Inovação (Sicti) do Instituto Federal do Pará (IFPA) encerrou sua programação nesta sexta-feira (19), no hall do Campus Bragança, em clima de celebração e balanço positivo. O evento, que marcou a segunda passagem do seminário pela cidade, sendo a primeira em 2014, consolidou-se como um marco de inovação, integração comunitária e inclusão.
Entre os diferenciais desta edição, estiveram a ampliação da programação para além dos muros do campus, com atividades na orla do rio Caeté, oficinas no centro histórico, no manguezal da Reserva Extrativista Caeté-Taperaçu e em uma casa de farinha na comunidade do Tamatateua. Os visitantes também puderam percorrer a Trilha Caeté, no fragmento florestal preservado do próprio campus.
Outro ponto alto foram as iniciativas de acolhimento e inovação: o aplicativo desenvolvido por servidores do Campus Bragança para avaliar os trabalhos, as salas sensoriais de baixo estímulo voltadas a participantes neurodivergentes e o “Sictizinho”, programação lúdica voltada para crianças.
Durante a cerimônia de encerramento, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG), professor Saulo Rafael Silva, anunciou o destino da próxima edição: Tucuruí. A cidade às margens do rio Tocantins será a sede do XVIII Sicti, previsto para 2026. “Bragança deixa um legado importante para o Sicti, com ações que ampliaram a participação da comunidade, reforçaram a acessibilidade e trouxeram inovações que inspiram os próximos encontros”, destacou o professor Saulo.
Pesquisas científicas premiadas
A 17ª edição do Sicti mostrou a força da produção acadêmica dos estudantes do Instituto Federal do Pará (IFPA). A mostra reuniu os resultados de trabalhos de iniciação científica desenvolvidos ao longo do último ano nos 18 campi do IFPA, revelando o compromisso da instituição com a ciência que nasce nos territórios onde atua.
As pesquisas investigaram besouros, aves migratórias, macrofungos e moluscos dos manguezais da região, enquanto outras apresentaram soluções inovadoras para problemas do dia a dia das cidades amazônicas, como um aplicativo para monitorar a qualidade da água, protótipos de robôs de apoio à agricultura familiar e propostas para a gestão de resíduos sólidos urbanos.Os saberes tradicionais também ganharam destaque, em estudos sobre o extrativismo do caranguejo-uçá em áreas de reserva marinha, a agricultura familiar, o protagonismo feminino na agroecologia e as produções audiovisuais de povos indígenas.
Questões sociais e culturais se somaram a essa diversidade, com trabalhos que abordaram desigualdades de gênero e raça, literatura afro-brasileira e inclusão, diversidade e acessibilidade na educação. Mais do que resultados acadêmicos, os trabalhos apresentados no Sicti revelam um IFPA que produz ciência enraizada na realidade amazônica, dialogando com seus territórios e projetando soluções para os grandes desafios de nossa gente.
No encerramento da programação, três trabalhos foram premiados com as pontuações mais altas: o 1º lugar veio de Tucuruí, com o projeto “Touch screening: uma aplicação móvel acessível para auxiliar o processo de triagem na unidade de Pronto Atendimento de Tucuruí (PA)”, de autoria de João Gilberto Caires Freire, Jucelino Henrique Lopes de Oliveira Filho, Thaís Santos de Oliveira e Mônica Silva de Oliveira.
Em 2º lugar ficou o Campus Marabá Rural, com o trabalho “Estacas alternativas na região amazônica”, de autoria de Mikaeli Kevelin da Silva, Itair Vieira dos Santos Júnior e Suzenny Teixeira Rechene. O Campus Óbidos conquistou o 3º lugar com “Uso de armadilha fotográfica em estudo com aves em um fragmento florestal na região do Baixo Amazonas”, de autoria de Gabriel de Oliveira, Janaína de Melo Silva e Dianes Gomes Marcelino.
Aplicativo
O XVII Sicti contou com a tecnologia para aprimorar a etapa de avaliação dos trabalhos apresentados, parte central da programação do evento. Mais de 350 trabalhos de diversas áreas do conhecimento foram expostos em formato de banner durante os quatro dias de atividades em Bragança. A mostra de trabalhos acadêmicos mobilizou um pelotão de 88 avaliadores, formados por técnicos e professores de diversos campi do IFPA.
Na edição bragantina, os avaliadores puderam registrar as notas diretamente em uma plataforma on-line, a Sisava Pro, que deu mais agilidade e transparência ao lançamento das notas e à apuração dos resultados da mostra. O acesso, autorizado por senha, foi feito diretamente no celular de cada avaliador, eliminando as fichas e pranchetas.
Criada especialmente para a avaliação dos trabalhos do Sicti, a plataforma foi concebida pelo professor Mauro Melo e pelo técnico em informática Jeanfson Dutra, ambos ligados ao Setor de Inovação do IFPA campus Bragança. A aplicação, em sua primeira versão, está listada como ativo de inovação do campus e segue em fase de registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), na categoria software.
Desafio Tecnológico
Duas equipes do IFPA campus Breves disputaram o lugar mais alto do pódio do Desafio Tecnológico do XVII Sicti. Integrado à programação do Sicti, o desafio tecnológico deste ano testou a resistência à carga de pontes construídas com palitos de picolé, cola e muita criatividade.
A equipe Parauaú, de Breves, conseguiu a marca inédita de 132 quilos (180 pontos), equilibrados com muito cuidado sobre a estrutura de palitos engenhosamente montada. A equipe vencedora conquistou o troféu e garantiu participação em evento nacional de inovação. O troféu de segundo lugar também foi para Breves, para a equipe Raízes do Marajó, cuja ponte equilibrou e sustentou 115 quilos (171 pontos) - rompendo-se ao tentar alcançar a carga vencedora.
O terceiro lugar na competição ficou com a equipe Técnicos da Resistência, do campus Marabá Industrial, com a marca de 49 quilos (80 pontos). A competição foi organizada e auditada por professores e técnicos do curso de Edificações do IFPA campus Bragança, com a participação de representantes das equipes.