Cidadã Global: estudante do IFPA participa de intercâmbio na Colômbia e une saberes científicos e tradicionais
A primeira edição do Programa Cidadão Global já acabou e a estudante paraense Ana Beatriz das Neves, que representou a Região Norte no Intercâmbio, está de volta ao Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Ananindeua, com novos aprendizados na bagagem. Promovido pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), o Programa promoveu a cidadania global e a internacionalização do ensino. A estudante do Bacharelado em Ciência e Tecnologia do IFPA foi uma das cinco selecionadas para realizar atividades de Iniciação Científica e Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Medellín, na Colômbia.
Ana Beatriz das Neves passou 90 dias na Institución Universitaria Colegio Mayor de Antioquia. Ela e as demais estudantes foram selecionadas por meio de edital publicado pelo Conif em 2024, e o intercâmbio teve início em março de 2025. Todos os custos do projeto, como passagens aéreas, seguro viagem, passaporte e bolsa de estudos, foram financiados pelo Conselho. A recepção na instituição colombiana foi viabilizada por meio de parceria com a Asociación Colombiana de Instituciones de Educación Superior (ACIET).
Durante o intercâmbio na Colômbia, Ana Beatriz das Neves participou do projeto “Sistema Eco-Sustentable para el tratamiento y reúso de aguas residuales rurales”, que envolvia o desenvolvimento de soluções sustentáveis para o tratamento de águas residuais em comunidades indígenas e nas comunas (regiões periféricas da cidade). “Trabalhei diretamente na implementação de jardins filtrantes, biorreatores de microalgas e sistemas automatizados com Arduino, integrando conhecimentos de biotecnologia, programação e sustentabilidade. Além disso, participei de oficinas culturais, visitas técnicas em empresas de tratamento de água residual, eventos acadêmicos e realizei oficinas de português para alunos e professores. Realizei também apresentações ao grupo de estudo de biotecnología sobre extremofilos no Brasil”, conta a estudante.
Durante o intercâmbio, a intenção era que Ana Beatriz complementasse e aprimorasse o projeto de pesquisa sobre produção de energia elétrica em Célula de Combustível Microbiana, que inicialmente foi desenvolvido no IFPA, Campus Ananindeua, no entanto, o projeto foi trocado para tratamento de águas residuais. “Mesmo com a troca do projeto, o intercâmbio me proporcionou contato direto com metodologias de reaproveitamento de resíduos orgânicos e com sistemas vivos como biorreatores de microalgas, tecnologias que se conectam com os princípios das células de combustível microbianas (MFCs). Pude observar como o uso de microrganismos em processos biotecnológicos pode ser adaptado a diferentes contextos, o que amplia as possibilidades de aplicação do meu projeto de pesquisa. Além disso, a vivência em campo reforçou minha convicção de que é possível gerar energia limpa e acessível a partir de soluções simples, ecológicas e comunitárias”, explica.
Aprendizados
Ana Beatriz destaca que aprendeu a se adaptar a um novo país, com outra cultura, idioma e rotina, o que a fortaleceu no âmbito pessoal. Já no âmbito profissional, ela conta que compreendeu o valor de trabalhar de forma colaborativa em equipes multidisciplinares e multiculturais. “Aprendi a importância do diálogo intercultural na construção de soluções tecnológicas sustentáveis. Conhecer a realidade de um território tradicional indígena e das comunas, e conseguir adaptar tecnologias às necessidades locais foi algo transformador”, ressalta.
A estudante também afirma que a experiência mostrou que ciência e tecnologia são ainda mais potentes quando dialogam com saberes tradicionais e realidades locais. “Escutar as necessidades e os medos da comunidade e agir como uma ferramenta de auxílio é algo de extrema importância em trabalhos de extensão, e trabalhar com pesquisadores tão incríveis que me mostraram a sensibilidade e a riqueza de executar trabalhos assim me fizeram voltar ao Brasil uma pesquisadora e cidadã mais ativa e sensível a trabalhos de tecnologia na comunidade”.
O Programa ofertou bilhetes aéreos, seguro viagem, passaporte e bolsa de estudos. O objetivo era que os alunos das instituições associadas ao Conif desenvolvessem competências de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação. Ao todo, cinco estudantes, um de cada região do país, foram contemplados com a bolsa, sendo dois de Nível Técnico e três da Graduação.