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IFPA cria alternativas para o ensino da Química a deficientes visuais

Publicado: Quinta, 04 de Julho de 2019, 18h58 | Última atualização em Quinta, 04 de Julho de 2019, 19h00

Kit molecular adaptado e Software de Tabela Periódica são desenvolvidos para facilitar aprendizado da química para alunos cegos ou de baixa visão

 

imagem sem descrição.

Com o objetivo de tornar possível o aprendizado dos alunos com deficiência visual que o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), desenvolveu estruturas químicas inclusivas para melhorar o ensino de Química. O projeto é do Campus de Abaetetuba, desenvolvido pelos pesquisadores Anderson Henrique Lima e Lima e Cláudia do Socorro Azevedo Magalhães. As estruturas são confeccionadas com talo das folhas de Miriti que garante o baixo custo e a leveza do produto.

Os protótipos das estruturas moleculares feitos a partir da palmeira de Miriti, - “Kit Molecular” - recebem o sistema Braille para tornar possível o aprendizado sobre Química.  A proposta é utilizá-los para o ensino de alunos deficientes ou não.  Pode, também, ser utilizada como ferramenta pedagógica para a formação de professores de Química no âmbito da educação inclusiva.

O Professor Anderson Henrique Lima conta que, no ensino da Química, é comum questionar os alunos a respeito de pontos que dependem de uma observação visual dos fenômenos, o que compromete o aprendizado dos alunos com deficiência visual. “Considerando que os conhecimentos adquiridos pelos alunos cegos ou de baixa visão devem ser idênticos e com o mesmo grau de exigência dos alunos normovisuais, busca-se neste projeto, interferir nessa realidade pelo incentivo ao uso de uma abordagem estrutural espacial na disciplina de Química”, explica o Professor.                   

O diferencial do trabalho dos pesquisadores é o baixo custo do material utilizado para a confecção do Kit molecular. A matéria-prima, além de ser abundante na região, permite a confecção de um produto sustentável bem diferente dos modelos feitos à base de petróleo. As adaptações propostas pelos pesquisadores nas estruturas permitem a inclusão efetiva dos alunos cegos e com baixa visão em aulas de Química.

 

Tabela Periódica para deficientes visuais

 

O ensino da Química para deficientes visuais também é o principal foco de um Software criado no IFPA Campus Tucuruí. O Quimivox apresenta uma Tabela Periódica dos elementos químicos, utilizando-se, para isso, do Dosvox, Sistema Operacional mais usado por deficientes visuais no país. Trata-se do primeiro Software desenvolvido no Brasil com uma tabela periódica acessível a pessoas sem nenhuma ou pouca visão e foi desenvolvido por alunos de Iniciação Científica do IFPA.

O Quimivox funciona a partir de um sintetizador de voz, que faz a leitura de todas as informações escritas na tela do computador. Com o Software, os usuários têm acesso a um leque de informações sobre elementos químicos, como as principais propriedades, a classificação, o histórico e as aplicações no cotidiano, permitindo assim, que o estudo da tabela periódica seja facilitado para alunos com severas deficiências visuais (cegueira e baixa visão). O usuário ainda tem a opção de escolha das ações a serem executadas, manuseando o teclado do computador, sem requerer ajuda de outra pessoa.

O estudante do IFPA Tucuruí, Alex de Oliveira, tem baixa visão e é um dos mentores do projeto, ele conta que o Quimivox é uma alternativa mais completa em relação a outros recursos de ensino da Química para deficientes visuais. “Nós percebemos que a tabela periódica tátil é muito grande pro deficiente visual conseguir andar com ela. Além disso, outras informações além das que tem na tabela periódica convencional, em papel, podem ser obtidas através dessa ferramenta do Quimivox”, explica o estudante.

A segunda versão do Software foi aprimorada depois de uma visita do grupo de pesquisa ao Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A convite do criador do ambiente Dosvox, Antônio Borges, a equipe do projeto Quimivox passou uma semana no Rio de Janeiro conhecendo mais profundamente a ferramenta Script Vox, o que permitiu que a segunda versão do Software fosse concluída.

Em sua segunda versão, o Software tornou-se visualmente mais atraente para professores e alunos que não têm nenhuma deficiência visual, integrando todos no processo de aprendizagem. “Ele vem a ser mais um fator integrador, utilizado tanto por deficiente visual ou baixa visão, mas também com alunos que não tenham problema de visão”, defende o Professor Landry da Silva, que faz parte do projeto.

O Professor ainda conta que a ideia é que outras disciplinas possam se beneficiar desse projeto. “O nosso maior objetivo é desenvolvermos ferramentas para outras disciplinas, para outros cursos que possam utilizar o ensino dessas matérias, independente da deficiência visual que o aluno possa ter ou não”, explica Landry.

 

 

Sobre a pesquisa do Kit molecular, o professor Anderson Henrique Lima e Lima responde:

 

_ Quando o projeto começou?

 

O projeto teve início em outubro de 2016 com apoio do IFPA por intermédio da Pró-Reitoria de Extensão e Relações Externas, Edital Nº 03/2016, que selecionou propostas no âmbito do Programa Institucional de Auxílio às Atividades de Extensão (PROEXTENSÃO).

 

_ A idéia surgiu por algum motivo especial?

 

O entendimento de Química exige muito da percepção visual. Neste sentido, a modelagem de estruturas químicas tridimensionais surge no intuito de auxiliar no processo de ensino/aprendizagem do educando. Em atividades experimentais, é comum questionar os alunos sobre o que é observado visualmente. Estas perguntas, cujas respostas resultam da percepção visual dos fenômenos, se tornam no caso de alunos cegos, um obstáculo ainda maior, já que a falta de materiais adaptados é um dos grandes responsáveis por esse problema. Considerando que os conhecimentos adquiridos pelos alunos cegos ou de baixa visão devem ser idênticos e com o mesmo grau de exigência dos alunos normovisuais, busca-se neste projeto, interferir nessa realidade pelo incentivo ao uso de uma abordagem estrutural espacial na disciplina de Química. A construção desse modelo permite, além do seu uso como instrumento didático, uma abordagem interdisciplinar e inclusiva na medida em que sua construção envolve conteúdos diversos e a participação de todos os alunos da classe em questão e assim, alcançar um os preceitos principais da inclusão que prediz a questão da participação do aluno com necessidade especial visual em sua própria comunidade escolar, o que não deve se limitar à partilha de espaços físicos comuns, mas também  na busca da produção constante de materiais e métodos educativos inclusivos que possam facilitar o seu aprendizado.

 

_ Quantas pessoas da comunidade foram envolvidas?

 

Inicialmente participaram como colaboradores do projeto 5 alunos de nível médio integrado (sendo 2 bolsistas) e 1 aluno bolsista de nível superior. Estes alunos desenvolveram, em parceria com um artesão da cidade, os modelos, os quais foram levados ao NAPNE do campus Abaetetuba e trabalhados no intuito de serem adaptados à pessoas com necessidades especiais visuais.

Em seguida, foi realizado o I Workshop Inclusão no Ensino de Química: Utilização da arte do miriti para a criação de estruturas químicas adaptadas que ocorreu no dia 16 de fevereiro de 2017 no Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores - Instituto Federal do Pará - Campus Abaetetuba, contando com 25 participantes inscritos, onde 10 eram professores de química da rede pública de Abaetetuba, Tailândia e Barcarena. Os outros participantes eram alunos e professores de áreas afins.

Vale ressaltar a participação ativa no projeto dos pais de um aluno deficiente visual, onde puderam participar de toda a formação feita no evento, destacando-se a oficina de braille ministrada pelas professoras Olga Lídia Cunha Cordeiro (UEPA) e Maria de Fátima Pantoja Carneiro (UEPA).

O projeto atendeu ainda diretamente 2 alunos cegos e 3 de baixa visão e indiretamente atendeu aproximadamente 10 alunos entre cegos e de baixa visão. Trata-se indiretamente os alunos atendidos pelos professores que participaram da formação no workshop que levaram a metodologia desenvolvida para seus ambientes de trabalhos nas ilhas ao redor do município de Abaetetuba e municípios vizinhos. Estes dados ainda serão quantificados a fim de obter números efetivos da abrangência do projeto.

 

 

Texto e imagens: ASCOM/IFPA

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